A VIDA É BELA

A VIDA É BELA | Texto produzido no âmbito do estudo de excertos da obra Diário de Anne Frank, na disciplina de Português, 8º ano



fev 2017



O filme A Vida é bela atinge o inacreditável. Utiliza comédia para contar uma comovente história sobre uma das mais horrendas realidades do século: a II Guerra Mundial. Com as assustadoramente frescas memórias da época, Roberto Benigni cria um filme honrado e inspirador. Como a maior parte dos melhores filmes, este é mais agradável quando visionado com alguns conhecimentos de fundo, nomeadamente os adquiridos nas aulas da disciplina de português, no presente ano letivo.
A primeira parte do filme é «charmosa», magicamente romântica e cheia de cores gloriosas; estamos muito satisfeitos com este facto e inicia-se a segunda parte: o campo de concentração. Esta parte chega a tornar-se peculiar e imprópria. Naquela altura, os direitos humanos eram pouco valorizados e as diferenças não eram aceites. Infelizmente, hoje em dia, ainda não existe um único país onde todas as pessoas se sintam respeitadas e é por isso que vos quero comunicar o seguinte:
Preciso da vossa ajuda! Não quero apenas falar disto, mas quero ter a certeza que isto mudará o mundo aos vossos olhos. Quero que todos tenham os mesmos direitos, sejam homens ou mulheres. Notei também uma coisa importante enquanto pensava no assunto, em casa: que, muitas vezes, lutar pelos direitos das mulheres é confundido como ódio aos homens. Se há uma coisa de que tenho a certeza é: isto tem de mudar! Para vos recordar, feminismo significa a crença na igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. É a teoria da igualdade política, económica e social de ambos os géneros.
Neste momento, há raparigas a abandonar as suas atividades desportivas, porque não querem ser «musculadas» porque, aparentemente, isso se associa aos rapazes. Decidi que era feminista e isto não me pareceu complicado. Mas, de acordo com as minhas pesquisas, esta palavra assume-se como impopular. Aparentemente, estou entre as mulheres que utilizam expressões vistas como demasiado fortes, demasiado agressivas, isoladoras, anti-homens e pouco atraentes… Por que é que esta palavra é assim tão desconfortável?
Sou portuguesa e acredito que é um direito das mulheres serem pagas de igual modo em relação aos homens. Acho que é correto eu poder fazer decisões sobre o meu próprio ser. Eu acho que é correto que as mulheres se envolvam tanto na política, como nas decisões do meu país. Eu acho que é correto que eu, socialmente, possa ter os mesmos direitos que os homens. Mas, fico triste ao afirmar/confirmar esta realidade, como já disse anteriormente: ainda não existe nenhum país no mundo onde todas as mulheres podem esperar estes direitos! Nenhum país do mundo pode afirmar que atingiu a igualdade entre os géneros. Eu sinto-me sortuda, porque posso usufruir plenamente dos meus direitos.
A minha vida é um enorme privilégio, porque os meus pais não me amaram menos por ter nascido rapariga. A minha escola não me limita por ser rapariga. Ninguém me valorizará menos, sabendo que talvez, um dia, terei uma criança. Estes aspetos são os embaixadores da igualdade, que me tornaram no que sou hoje! Algumas pessoas provavelmente não notaram, mas elas são os «feministas inadvertidos» que estão a mudar o mundo de hoje e precisamos de mais gente assim. E, se ainda odeiam a palavra - não é a palavre que importa, mas sim a ambição que nela se esconde. Infelizmente, nem todas as mulheres podem ter os mesmos direitos que eu tenho; de facto, estatisticamente, muito poucas podem.
                Em 1995, Hillary Clinton fez uma famoso discurso sobre este assunto, em Beijing. Tristemente, várias coisas que ela queria mudar ainda são a realidade de hoje. Mas, o que me sobressaltou mais: apenas 30% da audiência era masculina. Como queremos nós mudar o mundo, se menos de metade se sente bem-vindo a participar na conversa?
Rapazes - também queria aproveitar esta oportunidade para estender o vosso formal convite. A igualdade de géneros também é um problema vosso porque, até à data, vi o papel de pai a ser desvalorizado com se fosse menos importante do que o da mãe. Eu vejo rapazes a sofrer de perturbações mentais sem pedirem ajuda, porque têm medo que isso os torne menos «masculinos». Na verdade, em vários países, o suicídio é a principal causa de morte de homens entre os 20 e 49 anos de idade, ultrapassando os acidentes rodoviários, cancro e doenças cardíacas. Eu vi homens a ficarem frágeis e inseguros por causa de um sentido distorcido do que constitui o sucesso. Os homens não têm também os benefícios da igualdade. Não falamos regularmente sobre os homens aprisionados dentro dos estereótipos masculinos, mas posso ver que eles, quando forem completamente livres, implicarão a mudança para as mulheres, como uma consequência natural. Se os homens não precisarem de ser agressivos para serem aceites, as mulheres não vão sentir aquela necessidade de serem submissas. Se os homens não sentirem aquela necessidade de controlar as coisas, garanto-vos que as mulheres também não serão controladas. Ambos, homens e mulheres, deviam sentir-se livres para serem fortes… Ambos, homens e mulheres, deviam sentir-se livres para serem sensíveis… É tempo de percebermos os géneros como um todo, não como dois pontos ideais opostos. Se pararmos de nos definir por o que nós não somos e começarmos a definir-nos pelo que somos, podemos ser todos mais felizes. Espero que percebam isto pelos vossos pais, irmãos, irmãs e futuros filhos.
 Provavelmente estão a pensar: quem é esta rapariga de 13 anos? E o que é que ela está para ali a dizer? Eu pergunto-me o mesmo. Eu não me considero mais importante do que qualquer um de vós, sentados, à minha frente. A única coisa que sei é que quero mudar o mundo! É tudo muito complicado mas, nos momentos de dúvida, penso sempre nesta minha frase: Se não eu, quem? Se não agora, quando?
Se não fizermos nada, esperaremos 75 anos até as mulheres serem pagas de forma igualitária em relação aos homens, para fazerem a mesma coisa. 15,5 milhões de raparigas casar-se-ão nos próximos dezasseis anos, ainda crianças. E, pelas estatísticas atuais, somente em 2086 todas as raparigas africanas terão acesso à escola. Se acreditam na igualdade, eu aplaudo-vos. Estamos com dificuldades em unir o mundo, mas como disse Martin Luther King: «Eu tenho um sonho»!


Filipa Craveiro, 8.ºB





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